segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A sétima arte durante a minha semana.


Engraçado, assisti muitos filmes essa semana na TV a cabo (alias, Deus a abençoe, mais uma vez!), sabe como é, a faculdade vai começar e eu estou sentindo que eu não vou ter tempo nem pra ver o comercial do horário nobre, que só dura trinta segundos e provavelmente custa uma fortuna.Vi Clube da Luta, me lembrei que continuo não gostando do final, não vi Entrevista com o Vampiro e quase chorei por isso, assisti pedaços de outros filmes desconhecidos e é claro, Edward Mãos de Tesoura também esteve no roteiro de filmes da semana, tinha esquecido como esse filme é bizarro e o Johnny Deep mais bizarro ainda.
Fui no cinema também.Cai em prantos assistindo Marley e Eu, não costumo gostar de filmes com cachorros, tipo Beethoven, Beethoven O Retorno, Beethoven o Super Cão, nada contra quem gosta, mas o cachorro é sempre um quase Super Herói, salva as criancinhas, morde o bandido, descobre um tesouro, só não é alérgico a Kriptonita, que eu me lembre, mas tirando isso, suas quatro patas e um rabo, são todos basicamente, Super-Homens.O Marley não é bem assim, quer dizer, ele não é nada heróico, é o cachorro do Apocalipse, destrói tudo, come até paredes, mata seus donos de vergonha e rende até uma coluna semanal no jornal, porém apesar de toda sua destruição em massa, ama incondicionalmente seus donos, sua família.Não sei explicar o que senti vendo esse filme, não sou critica de cinema, não entendo de fotografia, mas sei quando um filme retém amor. Achei que ia sair da sala de cinema e só eu, chorona que sou, ia estar me debulhando em lágrimas, porém me deparei com pessoas com olhos vermelhos e nariz escorrendo, todas correndo pro banheiro.Não saciada a minha vontade por bons filmes, fui ontem assistir “O Curioso Caso de Benjamin Button.”, com a minha mãe, que quase esmagou minha mão quando viu o Brad Pit de meia idade, numa motoca, cabelos ala Elvis e Haiban, todo no puro estilo bad boy, de verdade achei que ela ia esmigalhar minha mão, meu pai foi também mas acho que ele não acha o Brad Pit bonitão não.O filme é longo, mas o tempo é imperceptível, me lembrou Forest Gump, uma história de encontros e desencontros de personagens tão simples que chegam a ser tocantes, trechos de fatos da história americana, frases óbvias porém sábias, toda a vida de alguém que está vivendo o tempo ao avesso.
Temos a mania de sempre achar, que pra nós tudo está ao contrário, que o destino luta contra a nossa vontade, eu mesma, tenho essa mania e mostro claramente ela nos meus posts.Esse filme me ensinou, que o destino não luta contra nós, nem o tempo, nós que desperdiçamos nossas energias com pequenas coisas.Não vemos um nascer do sol, não realizamos ao menos um sonho, remoemos nossas dores, que na verdade deveriam ser deixadas pra trás.Se nascêssemos com oitenta e poucos anos, e morrêssemos como um bebê sem memória da própria vida, talvez chegássemos aos 18 com toda sabedoria de um homem que já viveu boa parte da vida, pra saber que muitas das nossas dores de agora, são pequenas perto do que ainda nós espera.Não somos tão fortes como pensamos, não sabemos de nada e agora quase estou caindo na tentação de concordar com o meu pai quando ele diz que realmente eu não sou a sabe-tudo.Sou na verdade a sabe pouco, ou quase nada.
Ainda tenho muito pela frente, não sou Benjamin Button, tenho realmente recém completados dezenove anos, pode acreditar que eu vou envelhecer. Hoje foi difícil dormir, acordei no meio da noite, rolei na cama, tive insônia, a maior conseqüência dos medos e dores de uma menina meio mulher. Meu sono sofre, eu sofro, por que não sou sábia o bastante pra saber que dores piores virão.Não sei se gostaria de viver minha vida ao contrário, mas gostaria muito de ser sábia o suficiente pra me convencer de que o que eu sinto agora vai passar, que não preciso ter medo da faculdade, que devo sim viajar, que um dia eu vou dirigir tão bem quanto deveria, que aquele cara realmente não serve pra mim, que meus pais me amam sim, sempre.Se eu fosse Benjamin Button, também escreveria um diário, gostaria que minha história virasse um filme, pra que todos aqueles que estão com sua vida cronológica nos conformes compreendessem o valor da juventude, o poder da meia idade e toda sabedoria que a velhice representa.Assistam esse filme, por favor.Deixem suas mães esmigalharem sua mão por causa do Brad Pit, agüentem o pranto descontrolado da mulher do seu lado, chore também se sentir vontade, espero que você também saia da sala do cinema compreendendo melhor a vida, ou com a certeza que você realmente não sabe nada que vai precisar de muita força ainda.Nascer e envelhecer, envelhecer e nascer, não importa a ordem, vai ser um mártire, uma constante luta, uma vida resumida em seus melhores momentos, como numa retrospectiva.


sábado, 10 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo, Parabéns pra mim...

Eu poderia vir aqui no blog, alguns dias atrás e digitar minhas palavras prósperas de ano novo, desejar que tudo mudasse, não que eu não quisesse, aos que desejam mudanças, que tudo mude pra melhor, que o ano novo seja simplesmente novo com a redundância da frase e tudo mais, mas eu mesma dessa vez não estava afim.
Meu ano foi um ano de poeta. Li livros estonteantes, trabalhei pra pagar minha bebida e meus luxos, vi filmes bons, filmes ruins, descobri um protótipo de amor dentro de mim e acabei com ele como se deve, e comecei de novo logo nesses primeiros dias do ano, tudo como não se deve em um ano devidamente novo.Tudo às avessas pra que eu posso revirar conforme os dias e meses se desarranjam.Nunca fui boa com ordem cronológica das coisas, só fui quando nasci e serei quando morrer, isso sim no seu devido tempo, para o resto eu não tenho tempo, tenho momento.Fazer o que?
Os meses, eu os conto, pra que tudo não vire uma anarquia total, mas eles passam tão rápido que às vezes, me perco.
A verdade é que nesse ano, eu vou ter que tratar de me ajeitar, a faculdade vai começar, meu aniversário está chegando, alias acho que eu sempre pensei que minha vida anual, na verdade começava depois dele, no décimo primeiro dia do ano, á quase dezenove anos, cá estava eu. Tem aquela primeira estrofe do "Poema de sete faces", do Drummond, “Quando nasci, um anjo torto; desses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida”.Imagino que se fosse ao meu respeito seria; “Quando nasci, um anjo gauche; desses que vivem na sombradisse: Vai, Paula! Ser torta na vida”.Ao contrario mesmo, meu anjo gauche, acanhado, eu sorrindo um sorriso aberto, de gente que vai ser torta no mundo mesmo, pra quem sabe a vida de alguém ou a própria, endireitar.
Sabe, estou aqui digitando essas palavras no meu teclado duro, eu preciso de um novo e quem sabe o Senhor Ano Novo, primo próximo do Papai Noel, não me arranja um nesse 2009 que se inicia.Quem sabe ele não me arranja uma viagem, um carro, algum dinheiro...Ta ai o problema social! Ninguém arranja nada, pular sete ondas não é macumba de galinha preta, o problema do ritual do ano novo é a falsa esperança que ele gera nas pessoas.Todo dia é dia de mudar! Uma das coisas que eu me orgulho da minha pessoa torta é isso, eu mudo no dia 31 de dezembro, ou no dia quatro de maio numa tarde chuvosa nada significante, sem ondinha, sem Chandon, sem abraços e ligações de ano novo.Mudar sem uma data especial não é problema, é a solução, não marque o dia da mudança, não se cobre, nem se prometa nada pro ano que se inicia, peça pra que venha tudo como tiver que ser, peça força e vontade para que se preciso mudar, você saia da mesmice à ponta pé, mas saia.
E é isso que eu desejo para esse ano, que tudo mude, mas que pelo amor de Deus, não saia totalmente do lugar, não quero uma revira volta na minha vida, estou ciente que a mudança está ai, posso sentir sua presença, mas estou saindo de um ano boêmio, como eu disse, um ano digno de poeta, não me cobrem pulsos firmes, mãos de ferro.Digo com firmeza apenas que estou preparada, pro que vier, mas ao decorrer do que talvez aconteça, esse blog vai ficar cheio de post sem nexo, e malucos, á começar por esse.Então venha 2009, venha no dia 31 do último mês ou em 13 de junho, estou aqui, não prometo aquelas piegas mudanças, mas aceito o que você propor a me cobrar...