quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Os sofrimentos do tal jovem Werther...sabe?

Sempre me perguntei o que talvez poderia levar alguém ao suicídio.Não! Não é último post de uma suicida, mas confesso que o livro “Os sofrimentos do jovem Werther.”, deu uma balançada nos meus conceitos sobre dar cabo da própria vida, partir dessa pra uma melhor, ou não tão melhor assim, porém não sou exatamente romântica rica da época de Goethe, não posso me dar ao privilégio do suicídio como fizeram muitos após lerem esse livro, pelo menos não agora, as vésperas do Vestibular e dos meus 19 anos, mas isso é outro assunto.Na minha opinião você tem que estar com um espírito acolhedor para compreeder o jovem Werther, ele é em muitos momentos totalmente brilhante e em outros muitos completamente desvairado. "Oh, aí estais vós, os razoáveis! Paixão! Embriaguez! Demência! E permaneceis tão impassíveis, tão indiferentes, vós, os homens morais! Censurais o bêbado, detestais o insensato. Mais de uma vez me embebedei, minhas paixões nunca estiveram longe da demência, e não me arrependi de nenhuma das coisas que fiz, pois graças a elas pude compreender, por experiência própria, como todos os homens extraordinários que levaram a cabo alguma coisa grande, alguma coisa reputada impossível, desde sempre foram declarados ébrios e dementes...Mas também na vida cotidiana resulta algo intolerável ouvir todo mundo gritar, sempre que alguém pratica um ato um tantinho mais livre, honrado, inesperado: ' Aquele homem está bêbado, está louco!' Tende vergonha na cara, vós, os pacatos! Tende vergonha na cara, vós, os discretos!" Foi uma das melhores citações dele no livro, onde ele crítica o conformismo, os que julgam os bêbados e insanos.Tá! Eu sou um pouco Werther e ele tomou minhas dores nesse trecho, por isso o transcrevi.
Posso dizer que infelizmente, o que menos mexeu comigo no livro foi o amor dele pela Carlota, toda paixão das palavras de Werther fosse qual fosse o assunto, eram derivadas do sentimento que ele tinha por ela.Ele ia de um extremo á outro sobre qualquer assunto e tinha um grande amor pela vida antes desse sentimento tomar conta dele mesmo, por tanto confesso que preferia o Werther vivo, e sem Carlota, me atirem pedras os fãs do romance, mas o homem era brilhante porra! Por que morrer por alguém que, aos meus olhos, parecia tão sem graça, quem quiser gostar da Carlota, idolatra-la, pode fazer isso a vontade, pra mim ela era morna demais.Porém como todos sabemos, o que seria dos insanos sem alguém sóbrio pra guia-los.
Não tenho conhecimentos literários, é o primeiro livro do Goethe que leio, essa é a opinião de uma pessoa vulgar, que se dedicou ao livro por um tempo.Para mim, o que levou Werther ao fim, foi acima de tudo sua paixão pela vida que ele transfiriu a figura de Carlota, ela se mostrou por muito tempo indiferente, consumindo a essência de Werther, que se viu desgostoso, sem sentir prazer em nada que não fosse ela, por idealiza-la demais.Faltou luta por parte dele, faltou sanidade, mas o que não faltou foi paixão, fosse por Carlota, fosse por qualquer criatura viva ou morta, Werther era só coração e sem coração ele nada podia ser.Por essas e por outras, m perdoem, mas sou mais o jovem Werther sem sua Carlota.Faltam Werther nesse mundo, concerteza ele veria nos dias atúais mais motivos para descrença na vida e não encontraria tantas Carlotas puritanas facilmente.Uma versão moderna de " Os sofrimentos do jovem Werther." seria muito bem vinda, como disse minha amiga, ele seria Emo, ouviria Jimmy Eat World, frequentaria assiduamente a rua Augusta, tomaria vodka e iria dirigir um New Beatle, eu mesma seria amiga dele, trocariamos idéias pelo MSN, ou nos bares por ai, só não poderia ser, nem de longe, a sua Carlota, aliás, não conheço ninguém que possa ser.É Werther! Pode voltar, mas saiba que se você quiser sua Carlota vai ter que procurar por uma senhora de sessenta anos, ou por uma beata, as mocinhas do sécula vinte e um são demasiadamente promiscuas, claro que com toda elegância e descrição da palavra!